Ah, se arrependimento matasse...

Tudo começou errado. Por inúmeras razões. A primeira foi o fato de ele descobrir que eu o queria por outra pessoa e a ultima foi o fato de ele aceitar ser pisoteado por alguém que não tem o direito de pisar em ninguém.



No dia em que marcamos de irmos para a cama também começou tudo errado. Eu tive que adiar por meia hora o combinado e ele se atrasou. Entrei no carro e fui tratada como a mais imperfeita das estranhas. Um oi seco sem nem olhar para mim. Perguntou-me se eu tinha preferência de motel, falei mal do motorista de ônibus que tentou fechá-lo, me chamou de estressada. Perguntou se eu estava nervosa e respondi que sim, pois bem era verdade. Segundo ele, já não temos mais idade para essas coisas, o que não concordei.




Chegamos, entramos, sentei à mesa e abaixei a cabeça, pedindo um tempo para relaxar. Ele riu. Não um riso contemplativo, mas um riso sarcástico. Um riso de quem já tinha idas suficientes a motéis sem precisar se preocupar com nervosismo, o que não é o meu caso. Fui ao banheiro.



(Sabe, eu não sou romântica, nem curto sexo no escuro, mas gosto de vestir coisas provocantes para os homens que me acompanham. Acho que uma bela lingerie instiga muito mais do que uma mulher nua.)



Saí do banheiro vestindo um corpete e calcinha preta. Nenhum elogio, esfriei na hora. Perguntei se tinha gostado e recebi apenas um sim como resposta. Caminhei até a cama, sentei ao seu lado, beijei seu rosto e fiz o serviço. Isso. Fiz o serviço, pois já desde a minha entrada no carro me senti uma estranha, quase uma puta – apesar de ele fazer um amorzinho tipo casal. Chupei, chupei muito, chupei com vontade, mas parecia não fazer diferença. Rebolei com força, ráipdo, devagar e nada parecia tirá-lo do sério. Esboçava apenas alguns gemidos escusos e puxões de cabelo mais de leve do que eu gostaria. Muito raramente pedia para eu parar e por pouco eu não obedecia.


Não me preocupei em ser boa de cama, ou demonstrar a ele que eu realmente o queria ou do que eu gostava. Não me preocupei em nada mais do que o normal. Talvez seria mais fácil se tivesse pago no final, talvez me sentiria melhor. Breu total. Ele não enxergava nada, eu tenho minha visão na penumbra(tipo anã do senhor dos anéis, haha).



Antes do banho rolou um momento relaxante onde fiz massagem nas costas dele – quando perguntei se poderia fazer, ele ficou tão surpreso quanto cego em tiroteio – e confissões, da parte dele. Alguns minutos de massagem, enjoei daquilo tudo e segui pro banho. Perguntei se ele viria, ele veio. No banho, foi o meu momento de confessar. Confessei que já saí com um amigo que temos em comum, um grande amigo e ele ficou meio desnorteado. Conversamos sobre os problemas que isso acarretaria e eu saí do chuveiro puta e estressada, certa de que a pessoa com quem eu tinha tomado chopp alguns dias atrás não era aquela que estava no motel comigo.





Tudo esfriou, não sei se alguma coisa mudou. Uma semana e meia depois eu tive a confirmação de que ele realmente não era a metade do homem que eu achava que fosse ou que eu sou mais amiga das pessoas do que deveria. Uma mensagem enviada em um momento impróprio causou serias conseqüências e me mostrou que cada um faz sua escolha e que cada escolha traz consigo uma carga, que pode ser essa positiva ou negativa. Eu fiz a minha e paguei o preço, mas ao mesmo tempo sinto que a carga dele é maior do que a minha e de certa forma mais negativa.



Hoje sinto como se fossemos dois estranhos. Você não me liga, eu não telefono e assim ficou. Nos esbarramos na quinta-feira e me tratou como se e fosse apenas mais uma na multidão, meio ignorada, meio escondida. Tudo bem, menina? Sim e ponto. Nada a mais, nada a menos. Fogo saindo pelas ventas, nó na garganta. Vontade de chama-lo num canto e dizer tudo o que eu penso.




Hoje fui a um show que havíamos combinado de ir juntos antes de toda a confusão e por alguns momentos senti sua falta. Momentos esses que duraram apenas o suficiente para eu lembrar que homens assim são como mulheres que apanham caladas do marido: se elas não contam para ninguém e não tomam uma providência, é porque gostam, e se ele gosta de apanhar, eu é que não estou disposta a bater. Coração meio-cheio, meio-vazio. Mente entupida e corpo cansado. É assim que estou, é assim que me sinto. Não trocamos mais uma palavra, não procuro, nem sorrio em sua presença, digo apenas que o desgraçado que inventou a saudade, não tem mãe. Não pode ter...









Em tempo: senhor Aragorn postou um texto fofíssimo em seu lado mais humano me agradecendo por uma noite de celebração. Antes de qualquer coisa, meu caro, deves agradecer a si próprio por se permitir lembrar como é viver. Saiba que seu modo de celebrar muito me agrada e que também espero pela próxima celebração cheia de bolo de sementes e muito chá. Não se sinta tão só e lembre-se do que falei: quando explodir, terá partes para todos os lados, mas eu estarei aqui para te reconstruir. Sem palavras para explicar o quanto aquela birita foi importante e agradável para mim.


Saiba que eu não faço nada demais por você, apenas aquilo que, como amigos de longa data, nos propomos a fazer. Te trato assim porque sei que você nunca aceitaria que eu passasse por cima de meus sentimentos sem ao menos me dizer um obrigado do fundo do coração, ou porque você nunca aceitaria ser comparado a um simples Nazgul. Porque eu sei que independente de qualquer coisa, de nós sempre restará o respeito, a compreensão e a lealdade. Te amo meu mestre, companheiro, conselheiro e mais recente companheiro de Malzebier (cerveja de mulher grávida e viadinho, haha).
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2 Responses
  1. Aragorn Says:

    Cerveja que dá néctar,de acordo com minha mais suja pesquisa!
    Só uma mente incrivelmente doentia poderia pensar nesse tipo de associação cerveja/leitinho.


  2. ººº
    Gostei do que li por aqui.

    Voltarei